Fábrica de farinha de Mandioca - Comunidade Salgado

Monte Santo-BA
Os produtores de mandioca da Comunidade Salgado começaram se organizar nos anos 90 para melhorar a produção de farinha. Havia várias casas de farinha na comunidade que funcionavam com um processo artesanal. A produção era pouca e de má qualidade, e muitos agricultores já haviam deixado de plantar mandioca. O grande sonho da comunidade era uma fábrica de farinha mecanizada. Em 1998 a comunidade criou uma associação e primeiro lutou para receber eletricidade no povoado. Com um importante apoio pela EFASE – Escola Família Agrícola do Sertão, elaboraram o projeto da fábrica e fizeram solicitações para várias secretarias do Estado. Receberam várias promessas de políticos, mas durante quatro anos, a fábrica não foi aprovada.

Em 2005 as líderes da Pastoral da Criança na comunidade entraram em contato com os agentes do Projeto Vencer Juntos para ver a possibilidade de um financiamento para montar a fábrica. Até que emfim, uma parceria entre a Pastoral da Criança, a comunidade e a CESE – Coordenação Ecumênica de Serviços viabilizou a sonhada fábrica, sendo que o Projeto Vencer Juntos contribuiu com a compra e instalação do equipamento com um valor de R$12.160,00, a CESE contribuiu com todo material de construção do galpão. A comunidade, através da Associação construiu a fábrica, contribuindo toda mão de obra em mutirão.

O SEBRAE ajudou com um curso sobre produção de farinha, ensinando as práticas de higiene e controle de qualidade. O processo de raspar e tirar a casca da mandioca continua manual e é da responsabilidade das mulheres. Todo o resto do processo de produção é mecanizado. O resultado é um grande aumento na produtividade e uma grande melhoria na qualidade do produto. A farinha de Salgado é hoje muito procurada e o preço aumentou em R$11,00 por saco comparado ao preço pago pela farinha das casas artesanais.

A ARESOL e Projeto Vencer Juntos acompanham, de forma sistemâtica, o grupo no que diz respeito a organização social e produtiva através de visitas e capacitações.
Com o grande benefício da fábrica, o número de famílias que participam passou de 43 para 73. Muitos agricultores aumentaram seus plantios porque a produção de farinha tornou-se lucrativa. As famílias produzem sua farinha na fábrica e deixam uma porcentagem de 15% para as despesas da fábrica e um fundo de reserva da associação. Produtores de fora deixam sua mandioca para beneficiamento na fábrica pagando a metade da produção para a mão de obra e as despesas da fábrica. Em 2009, ano de produção recorde da fábrica, com 37 toneladas produzidas, o grupo consegiu pagar a última parcela para completar a contribuição integral do valor recebido do Projeto Vencer Juntos para o Fundo Rotativo Solidário da ARESOL.  Com isso, a porcentagem contribuida para a fábrica pelos produtores pode diminuir, deixando uma maior renda na mão dos produtores.