Padaria Comunitária do Bairro São Joãozinho

Padaria Comunitária do Bairro São Joãozinho

Município: São João do Paraíso – MG

Setor: Janaúba-MG

 

A padaria comunitária  de São João do Paraíso-MG, nasceu há 13 anos atrás, com os primeiros investimentos do projeto Geração de Renda da Pastoral da Criança-Arquidiocese de Montes Claros. “Na época eram projetos muitos simples, eram os fornos comunitários, produção de sabão caseiro, remédios naturais, os mais comuns pra nossa diocese”, relata Maria Custodia Flores, conhecida como Lia.  Instalado no Bairro São Joãozinho num espaço da Pastoral da Criança, tinha como objetivo produzir alimentos mais baratos e saudáveis para atender o bairro mais pobre e afastado do centro.

Em 2001 o projeto já estava quase fechado com dívidas de mercadorias e apenas Dona Rosa produzindo muito pouco. Para não ver o projeto morrer de tudo,  Lia volta, pega um dinheiro emprestado da família e resolve tocar a padaria, paga a divida e faz nova compra de matéria -prima. Mobilizam novas lideres para assumir o empreendimento, que sempre entravam e saiam.

Em 2000 é criada a Diocese de Janaúba e em 2003, pela Pastoral da Criança o Projeto Vencer Juntos e com este uma equipe técnica passa a acompanhar mais de perto  a padaria, que nesta época já se encontrava mais estabilizada e com mais uma líder trabalhando ativamente, formando assim uma equipe de três mulheres: Rosa, Lia e Cida. Novo investimento é feito junto com o Vencer Juntos, além de capacitações e cursos. Começa então um crescimento das vendas e estabilidade de renda para as participantes.

O crescimento produtivo e financeiro da padaria passa a ser tão visível que no final de 2004 entra mais uma líder para a equipe  de produção e jovens são contratados para fazer o atendimento ao cliente. Em 2007, com a devolução total do primeiro recurso para o Fundo Rotativo,  novo investimento é feito  com o Vencer Juntos:  adquirem uma massadeira elétrica, forno semi-industrial,  reforma o ambiente de produção e de atendimento ao público.  Neste ano o volume de vendas mensal bruto chegava a R$ 6.000,00. “Crescemos dentro da economia solidaria, com os princípios da partilha cristã, da mística da pastoral da criança procurando sempre oferecer produtos de qualidade para as pessoas do nosso bairro que cresceram com nós”, relata Eliane Campanha, integrante do grupo.  Abaixo uma pequena descrição de outras conquistas do grupo:

  • 2008- Entrada do primeiro homem na equipe:  Evaneo;  inicia barraca na feira nos sábados  no centro da cidade; Vendas chega a R$ 20.000,00 e renda pessoal chega a 1 salário mínimo. Ajuda criar a AUVENOR- Associação dos projetos de Janaúba.
  • 2009: Cria uma filial no centro da cidade, número de balconistas jovens sobe para  4; Vendas ultrapassa  R$ 30.000,00 e renda pessoal passa de um salário. Entra nova mãe da pastoral para a equipe que chega a 6 – Nalva.
  • 2010: Número de balconistas chega a 6 trabalhando nas duas padarias; Fundo de reserva do grupo, atinge R$ 20.000,00. Termina de Devolver para o Fundo Rotativo da AUVENOR o último financiamento.
  • 2011: Grupo investe mais de R$ 7.000,00 na reforma  da padaria com recursos próprios;  Equipe de produção chega a 7 com a entrada de nova mãe acompanhada - Maria; Depois de muito trabalho a padaria é constituída micro- empresa.  Fundo de reserva chega a R$ 38.000,00.

Coma o inicio do processo de formalização a padaria passa a chamar-se ” Padaria e Confeitaria Providência Divina” finalizando em 2012 como  uma microempresa coletiva.

 

Hoje depois de muito trabalho e dificuldades, todos estão  felizes, com uma renda mensal próxima de R$ 1.000,00, e boa reserva em caixa. Vendem diversos biscoitos, pães, bolos, frios, doces  e muitos outros produtos.  “Trabalhar como empresa não vai ser fácil, aliás não tá fácil, sempre soubemos disso ,mas não temos saída, mas não queremos deixar os princípios da economia solidaria. Nosso principio maior é a partilha, a fé e o compromisso com a EPS, a Pastoral da Criança e o fundo rotativo. Nosso documento maior é o regimento interno e nossas reuniões.” Relata Eliane Campanha.